3 de mai. de 2026

Contos e Encantos: Eu e as Mulheres

Contos e Encantos: Eu e as Mulheres: Eu e as mulheres: uma relação tripla de amor, desejo e medo. Amor, porque compreendo que nunca amamos o bastante; sempre há espaço para a...

Eu e as Mulheres


Eu e as mulheres: uma relação tripla de amor, desejo e medo.
Amor, porque compreendo que nunca amamos o bastante; sempre há espaço para amar mais, e de forma mais consciente. Desejo, esse vasto oceano de emoções onde tantas vezes deixamos a razão em segundo plano. Medo, que para mim funciona como um escudo protetor: lembra-me de que, mesmo existindo o desejo, ele jamais deve superar a razão. É a responsabilidade de respeitar quem amamos, pois além da família que nos serve de exemplo, há pessoas que simplesmente não podemos decepcionar.

Quando jovem, parecia que a influência de Sagitário me moldava como um aventureiro, o arqueiro sempre em busca de um novo alvo. Uma dessas conquistas aconteceu numa noite de sábado. Depois de algumas cervejas geladas, convidei minha namorada para irmos a um lugar especial, talvez eu fosse o mais interessado naquela aventura. No quarto, iluminado apenas pela luz pálida de um abajur, meus olhos repousavam sobre aquela jovem de pele morena, olhar profundo e escuro, que parecia conter segredos e universos inteiros.

À média luz, percebi pequenas lágrimas em seus olhos e perguntei o motivo. Ela respondeu que não estava preparada para aquele momento, que havia se precipitado ao dizer “sim”. Mesmo sob o efeito do desejo e da bebida, fui rápido como um guerreiro que arma o arco e disse: “Então se vista, vamos ao cinema.” E assim fomos ao Cine Gazeta assistir Black Emanuelle.

Ela, com o olhar um pouco sem jeito, e eu com a certeza íntima de ter sido iluminado em minha decisão. Não ter cometido uma violência emocional foi, para mim, um ato de consciência: sabia que uma ferida assim poderia demorar a cicatrizar, e eu jamais me perdoaria. No escurinho do cinema, de vez em quando, vinha um abraço apertado, como se fosse um agradecimento silencioso por eu ter respeitado sua desistência. Naquela noite compreendi que não era apenas um jovem conquistador; era alguém que amava a vida e que tinha controle sobre suas próprias emoções.

Meses depois já estávamos separados, e aquele corpo escultural deixou de fazer parte da minha vida. O que permaneceu em minha memória não foi a imagem, mas sim a importância daquela decisão. Hoje penso em pais e mães que não conseguem dormir tranquilos diante de tanta violência, especialmente quando os números de feminicídios se tornam alarmantes. Somos todos mulheres na defesa da vida, a luta é tão nossa quanto delas. Amar nunca é possuir; amar é reconhecer que ninguém é dono de ninguém, é fazer valer a consciência e a razão.


"O conhecimento é um farol na escuridão"



29 de abr. de 2026

Contos e Encantos: Muros e Moinhos

Contos e Encantos: Muros e Moinhos:   Muros e moinhos simbolizam a tensão entre proteção e aventura. Em ambos os caminhos, o medo e a coragem coexistem, e escolher qual direção...

Muros e Moinhos


 Muros e moinhos simbolizam a tensão entre proteção e aventura. Em ambos os caminhos, o medo e a coragem coexistem, e escolher qual direção seguir sempre será um desafio. O provérbio “Quando sopram os ventos da mudança, alguns constroem muros, outros moinhos de vento” reforça a importância da adaptação diante das transformações inevitáveis.

Na fábula da vaca que foi para o brejo, o monge, ao lançá-la no penhasco, provocou nos donos a busca por alternativas. Ao perceberem a ausência da vaca, descobriram a imensa oportunidade de explorar suas terras. Dessa decisão nasceu um mundo de mudanças que trouxe prosperidade, mostrando que a perda aparente pode ser o início de uma nova realidade.

Os muros que acreditamos ser nossa proteção muitas vezes se tornam a “vaca que morre”, fruto da nossa resistência em agir e promover as mudanças necessárias. Já os construtores de moinhos se lançam na aventura, conscientes de que ninguém conquista sem tentar. Enquanto o tempo avança e arrasta consigo a juventude, os que erguem muros lamentam, choram ou questionam o inevitável; os que constroem moinhos, por sua vez, buscam se adaptar e reconhecem nas transformações algo natural e acessível a todos.

Quem se dedica a erguer muros, em geral, não vive plenamente o presente, pois já se perde em preocupações sobre o amanhã. Em contraste, aqueles que constroem moinhos de vento aproveitam cada instante possível, vivem mais intensamente e aceitam que cada aniversário é também um dia a menos na vida. Não se assustam com essa realidade, pois compreendem que “assim é, assim seja”, e ao aceitar, deixam que doa menos.

Afinal, qual seria a escolha certa? O “certo” é sempre relativo a cada pessoa. Eu, particularmente, prefiro os moinhos, pois erguer muros parece mais cansativo, e nada garante que um dia eles não venham a ruir. O medo de morrer e continuar sofrendo me leva a escolher viver o hoje, já que existir e apenas estar vivo são coisas muito diferentes.

Morrer e continuar sofrendo é permanecer preso a um amanhã cuja existência sequer conhecemos. Por isso, o caminho é viver, abraçar as mudanças e aceitar aquilo que o destino, ao longo de milênios, nunca conseguiu alterar: nascer, crescer e, depois…


"O conhecimento é um farol na escuridão"

Contos e Encantos: O Garra do Dragão

Contos e Encantos: O Garra do Dragão: A garra  do dragão é um conto dos tempos de reinos antigos, quando o poder valia mais que a razão e a integridade, vivia uma princesa que e...

28 de abr. de 2026

A Garra do Dragão



A garra do dragão é um conto dos tempos de reinos antigos, quando o poder valia mais que a razão e a integridade, vivia uma princesa que estava prestes a completar quinze anos. Para celebrar sua idade, o rei organizou uma grandiosa festa, ocasião em que também seria escolhido o príncipe guerreiro destinado a casar com ela.

Entre os pretendentes, destacava-se o filho de um rei poderoso: um jovem de porte físico imponente, conhecido pelo apelido de Destruidor de Corações. Não era por conquistar mulheres, mas por devorar o coração dos adversários derrotados em combate.

Quando os nomes dos candidatos foram anunciados, o dele surgiu por último. Para desespero da princesa, todos os outros desistiram diante de sua fama cruel. Então, ela se levantou, olhou para o pai e pediu um presente. O rei, curioso, respondeu: — Claro, princesa, peça o que desejar.

Ela chamou o jardineiro, um rapaz simples e honesto, e pediu ao rei que fosse ele o escolhido para ser seu esposo. O salão silenciou. O rei, surpreso, riu e disse: — Está bem, mas apenas se o jardineiro lutar e vencer o Destruidor de Corações. Não sabia que odiava tanto o jardineiro...

— Acredito que já vimos sangue demais em outras batalhas. Meu rei merece algo diferente, algo especial.

Então, com firmeza, declarou: — O jardineiro terá um mês para trazer como presente a garra de um dragão. Se não conseguir, pode marcar meu casamento com o Destruidor de Corações.

O rei, surpreso com a ousadia da filha, abraçou-a e comentou com um sorriso: — Seria mais fácil lutar... Mas está decidido assim.

A princesa, tomada pelo peso da própria decisão, chamou o jardineiro. Com voz serena, pediu desculpas pela imprudência cometida e, em seguida, colocou algumas moedas de ouro em suas mãos. — Corra, desapareça além das fronteiras do reino. Não quero ser culpada pela sua morte, disse ela, com os olhos marejados.

O jardineiro obedeceu. Partiu apressado, atravessando os limites do reinado. Já ao cair da noite, encontrou uma pequena casa à beira de um riacho. Bateu à porta, e uma senhora idosa o recebeu. Sem demora, ele contou toda a sua história e o desafio que lhe fora imposto.

Ao despertar, ainda atordoado, chamou a senhora e contou o sonho. Ela ouviu com atenção e respondeu: — Entre na mata e siga até encontrar a caverna do dragão. Guiado pela visão, o jardineiro partiu. Encontrou a caverna e, de fato, lá estava o dragão prateado, adormecido. Com cautela, retirou uma serra de bronze e tentou cortar uma de suas unhas. Mas o dragão despertou imediatamente, abriu um olho gigantesco sobre ele e, com voz retumbante, perguntou: — Você é louco?

— Não, apenas estou desesperado — disse o jardineiro, narrando tudo o que havia acontecido. O dragão, com a boca imensa entreaberta e ainda meio sonolento, ordenou: — Fique nesta caverna até o último dia.

Sem alternativas, o jardineiro aceitou.

Quando o prazo terminou, a cidade celebrava o casamento real. De repente, um brilho intenso rasgou o céu: o jardineiro surgiu montado em um dragão colossal, de quatro patas e vinte garras reluzentes. Diante do rei, perguntou: — Qual destas garras o senhor prefere?

O guerreiro conhecido como Destruidor de Corações ergueu o arco em silêncio traiçoeiro. Mas o dragão o envolveu com a cauda, ergueu-o diante de sua própria cabeça e, com uma única garra, arrancou-lhe todos os dentes. Então bradou: — Nunca mais morderás nenhum coração!

Em seguida, ordenou ao jardineiro que se posicionasse ao lado da princesa para que o casamento se realizasse. Sua voz ecoou, estremecendo os tímpanos do rei: — O jardineiro sabe onde me encontrar. E pode levar a princesa também. Implante a liberdade de escolha em seu reino, ou eu voltarei.


"O conhecimento é um farol na escuridão"

27 de abr. de 2026

Contos e Encantos: O Mistério do Batismo

Contos e Encantos: O Mistério do Batismo:   O mistério do batismo vai muito além da antiga tradição de abandonar o paganismo. Ele abarca um vasto oceano de sentimentos, que se estend...

O Mistério do Batismo


 O mistério do batismo vai muito além da antiga tradição de abandonar o paganismo. Ele abarca um vasto oceano de sentimentos, que se estende do rito tradicional às formas mais diversas de nomear alguém ou algo. Batizar é sempre um gesto carregado de significado: não o faríamos sem que houvesse emoção, respeito ou memória a sustentar esse ato. Nos tempos antigos, a mortalidade infantil era assustadoramente elevada. Quando uma criança adoecia, o batismo era apressado, pois, segundo as tradições de então, acreditava-se que crianças pagãs não poderiam alcançar o céu.

Que absurdo! Como se não bastasse a vida precária de tantas famílias, ainda se criou a ideia de um Deus exclusivo para os batizados. Felizmente, com o tempo, as mentes evoluíram e surgiram novas interpretações sobre Deus e o batismo. Hoje, dar um nome e batizar alguém, ou até algo, tornou-se um gesto comum, profundamente ligado ao emocional de cada pessoa e ao significado daquele momento em sua vida.

Gosto de dar nomes a muitas coisas, especialmente aos meus livros. Certa vez, numa tarde que se estendia pela noite, eu conversava com uma amiga quando ouvimos um som familiar. Ao erguer os olhos para o firmamento, ela comentou: “É o cachorro do céu que vai passando.” Na verdade, tratava-se de uma Suindara, a coruja-das-torres, também conhecida como coruja branca. Mas, por algum motivo, ela a batizou de “cachorro do céu”, talvez pelo canto que soa quase como um aviso.

Um simples exemplo mostra que nem sempre chamamos alguém ou algo pelo nome verdadeiro ou científico. Muitas vezes, criamos um apelido carinhoso ou escolhemos o primeiro nome que surge em nossa mente, e não há nada de errado nisso. Para aquela moça, a Suindara era o “cachorro do céu”, e esse batismo dado à coruja acabou inspirando esta postagem.

Portanto, a importância de criar e batizar está em viver o momento sem imposições ou obrigações. Talvez seja uma válvula de escape para quem precisa respirar novos ares. Quem sabe, para a moça do “cachorro do céu”, o som emitido pela coruja em seu voo majestoso tenha sido o único detalhe diferente em sua rotina diária. É assim mesmo: em muitas ocasiões, mensageiros surgem para atrair nossa atenção e nos ajudar a escapar da dura realidade da repetição cotidiana.


"O conhecimento é um farol na escuridão"

20 de abr. de 2026

Contos e Encantos: As Orelhas do Rei

Contos e Encantos: As Orelhas do Rei:   As orelhas do rei poderiam ser comuns, mas como esperar isso de alguém que é figura pública e poderosa? Em tempos passados, quando surgia...

As Orelhas do Rei

 


As orelhas do rei poderiam ser comuns, mas como esperar isso de alguém que é figura pública e poderosa? Em tempos passados, quando surgia na sacada do palácio, uma multidão entusiasmada gritava seu nome com tanta força que ele mal conseguia ouvir. Ainda assim, seu ego transformava aquele clamor em uma magnífica caixa acústica que alimentava sua vaidade. Porém, o tempo não poupa nem mesmo um monarca. Anos depois vieram as dificuldades, e embora não tenha desistido, sua popularidade passou a se dividir entre apoiadores e críticos.

Certo dia, o rei convocou o povo para explicar os momentos difíceis e decisivos. Com a mesma tranquilidade que demonstrava nos velhos tempos, apareceu na sacada da corte e saudou a multidão. Os mais tradicionais estavam ali, firmes em seu apoio e incentivo. Mas, em outra ala, aquela que sempre existiu e se beneficiava das circunstâncias favoráveis, começaram a ecoar palavras que há muito carregavam em seus pensamentos, palavras de desrespeito e reações negativas que agora se tornavam públicas.

Após alguns minutos, o rei começou a sentir um desconforto. Levou as mãos às orelhas e, em seguida, retirou-se da sacada. Antes de sair, porém, lançou um olhar profundo para algumas pessoas que outrora o haviam abraçado nos tempos de glória. Naquele instante, compreendeu com clareza quem eram os verdadeiros amigos. Pouco depois, uma nota oficial informou que o monarca não estava bem e precisara se retirar. A notícia, no entanto, foi recebida com desconfiança: poucos acreditaram na explicação e muitos questionaram sua veracidade.

O rei chamou um de seus conselheiros e, entre tristeza, lágrimas e revolta, abriu o coração. Desabafou tudo o que sentia e concluiu afirmando que ainda era rei, que não estava acabado. “E se fosse com você?”, perguntou ao conselheiro.

Com serenidade, o conselheiro respondeu: “Majestade, lembre-se de que é uma figura pública e precisa aprender a lidar com pessoas de emoções frágeis. Mesmo sendo poderoso, não esqueça que continua sendo humano, prova disso é o desejo de ainda ser venerado como nos primeiros dias de seu reinado. Tanto o rei quanto os súditos têm seus tempos de glória e suas fases de decadência. Isso não é motivo de vergonha, mas parte inevitável da vida.”

Meu conselho sincero é que receba as críticas com respeito, mesmo aquelas ditas sem clareza, fruto da falta de conhecimento ou de controle. Cultive a virtude da humildade e reconheça que o tempo passa para todos. Sua história é moldada pelo tempo e pelo modo como atua nele. Busque sabedoria para compreender aquilo que parece injusto, reinvente-se e conquiste vitórias silenciosas. O povo voltará a aplaudi-lo como antes. Não permita que o passado cobre dívidas no presente; acredite, trabalhe, e um novo ciclo de glória surgirá.

Enfim, tanto os famosos quanto os anônimos enfrentam mudanças constantes ao longo da vida. É necessário encontrar forças para lutar, defender e conquistar novas vitórias, compreendendo que muitas vezes as pessoas esperam uma performance sempre crescente, sobretudo daqueles que se tornam figuras públicas. A serenidade é essencial, especialmente para quem se transforma em ídolo. E, por vezes, o silêncio possui mais peso e voz do que qualquer grito.


"O conhecimento é um farol na escuridão"


15 de abr. de 2026

Contos e Encantos: Inteligência Emocional

Contos e Encantos: Inteligência Emocional: I nteligência emocional é como uma mochila espiritual que carregamos conosco: quanto mais aprendemos a controlar nossas emoções, mais leve...

Contos e Encantos: Eu e as Mulheres

Contos e Encantos: Eu e as Mulheres : Eu e as mulheres: uma relação tripla de amor, desejo e medo. Amor, porque compreendo que nunca amam...